Segunda-feira, 3 de Junho de 2013

Bonitas por dentro e por fora

Uma série juvenil recheada de mistérios, cujo maior segredo é que a história é bem melhor do que parece.

Só existem duas razões para não se acompanhar o sucesso multi-plataforma Pretty Little Liars:
1 - Sucumbir-se ao péssimo acting das actrizes principais, nos primeiros seis episódios;
2 - Achar-se que é um produto que não vale a pena ser consumido, porque, à primeira vista, não passa de uma mão cheia de miúdas giras com problemas pessoais fúteis.


Se se enquadram nalgum destes pontos, tenho a dizer-vos que é bastante compreensível. A ideia de se fazer uma série dramática de jovens, para jovens, com raparigas bonitas, bem vestidas e tecnodependentes afasta qualquer um, por mais inepto que seja. Ainda para mais, sabendo-se que há envolvimento dos produtores de Gossip Girl no projecto.
Contudo, a criadora I. Marlene King conseguiu pegar no que de melhor existe nas séries para adolescentes e acrescentar-lhe uma boa dose de suspense, mistério e terror. Aliás, a atmosfera permanentemente lúgubre e macabra é um dos traços mais distintivos desta megaprodução da ABC Family.


A história gira à volta de um grupo de quatro raparigas cuja melhor amiga, que partilham, está desaparecida há mais de um ano.
Alisson, de seu nome, era conhecida por ser altiva, intriguista e ameaçadora, no colégio da cidade Rosewood. Ela era a única confidente de cada uma das quatro protagonistas, que transformou em verdadeiras meninas populares e bem-sucedidas.
Contudo, a vida de Aria, Spencer, Hanna e Emily muda drasticamente quando recebem ameaças anónimas, assinadas com a letra A, revelando todos os seus segredos. Segredos que só Alisson sabia.
A trama adensa-se ainda mais quando o corpo de Ali surge e as amigas continuam a ser vítimas da entidade misteriosa.


Este é o mote para um thriller cheio de adrenalina e perigo, que vos vai pôr, sem peias, a falar com os amigos, sobretudo nas redes sociais, sobre quem matou Alisson, quem é a -A e em quem se deve, afinal, confiar.
Esta não é, com efeito, uma série para descansar o olhar e o cérebro, depois de um dia exaustivo. Desenganem-se. Todos os episódios são, não só passos em frente e pistas concernentes ao desvendar do grande mistério da trama, como também fontes de mais perguntas, teorias da conspiração e dúvidas, sobre as quais é impossível não nos perdermos a pensar.


São produções surpreendentes como esta, com inteligentes plot twists, bom desenvolvimento da narrativa, grande exploração das vidas das personagens e cada vez mais satisfatórias interpretações, que atiram sucessos de audiência, como Glee, e de recursos, como Game Of Thrones, para uma das casas de banho do Hospital Psiquiátrico Radley.
Mas, sobretudo, são produções como esta que sabem agarrar as redes sociais - o futuro dos social media - e tomá-las de assalto. É que o Twitter pára quando está num ar mais um episódio destas pequenas mentirosas.
Pretty Little Liars estreia a quarta temporada nos Estados Unidos, dia 11 de Junho. Por cá, a terceira temporada da série pode ser vista às terças-ferias no AXN White.


Sábado, 1 de Junho de 2013

PRÉMIOS OLHAR CRÍTICO 2012/2013

Apresento, agora, as séries internacionais que, a meu ver, mais se destacaram pela positiva, neste último ano. Importa relembrar que, embora gostasse, não sou um papa-séries e, como tal, é bem possível que a vossa produção favorita não marque presença em nenhuma das categorias, pelo simples facto de eu não a acompanhar.
Para que conste, escolhi as melhores séries da lista que, de seguida, apresento:
Fringe;
Dexter;
Bates Motel;
The Walking Dead;
Supernatural;
Pretty Little Liars;
Game Of Thrones;
Revenge;
Once Upon A Time;
Switched At Birth;
American Horror Story - Asylum

Sem mais delongas, passemos às categorias:

Melhor Argumento


3º Lugar - Fringe
2º Lugar - Bates Motel
1º Lugar - Pretty Little Liars

Melhor Realização


3º Lugar - Game Of Thrones
2º Lugar - American Horror Story - Asylum
1º Lugar - The Walking Dead

Melhor Actriz Secundária


3º Lugar - Diana Rigg (Olenna Tyrell, em Game Of Thrones)
2º Lugar - Danai Gurira (Michonne, em The Walking Dead)
1º Lugar - Sarah Paulson (Lana Winters, em American Horror Story - Asylum)

Melhor Actor Secundário


3º Lugar - Charles Dance (Tywin Lannister, em Game Of Thrones)
2º Lugar - James Cromwell (Dr. Arthur Arden, em American Horror Story - Asylum)
1º Lugar - Peter Dinklage (Tyrion Lannister, em Game Of Thrones)

Melhor Vilã


3º Lugar - Wendy Crewson (Helen Crowley, em Revenge)
2º Lugar - Barbara Hershey (Cora, em Once Upon A Time)
1º Lugar - Lily Rabe (Sister Mary Eunice McKee, em American Horror Story - Asylum)

Melhor Vilão


3º Lugar - Michael Kopsa (Captain Windmark, em Fringe)
2º Lugar - Zachary Quinto (Dr. Oliver Thredson, em American Horror Story - Asylum)
1º Lugar - David Morrisey (Governor, em The Walking Dead)

Melhor Actriz Principal


3º Lugar - Jennifer Carpenter (Debra Morgan, em Dexter)
2º Lugar - Jessica Lange (Sister Jude Martin, em American Horror Story - Asylum)
1º Lugar - Vera Farmiga (Norma Bates, em Bates Motel)

Melhor Actor Principal


3º Lugar - Joshua Jackson (Peter Bishop, em Fringe)
2º Lugar - John Noble (Dr. Walter Bishop, em Fringe)
1º Lugar - Andrew Lincoln (Rick Grimes, em The Walking Dead)

Melhor Série


3º Lugar - Game Of Thrones
2º Lugar - The Walking Dead
1º Lugar - Bates Motel

Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Restantes vencedores dos Prémios 'Olhar Crítico'

Após um interminável período de ausência, cá estou eu para dar a conhecer os restantes vencedores dos prémios Olhar Crítico de 2011.

Melhor Actor Secundário


4º Lugar - Leonard Nimoy (Dr. William Bell, em Fringe)
3º Lugar - Gabriel Mann (Nolan Ross, em Revenge)
2º Lugar - Robert Sean Leonard (Dr. James Wilson, em House M.D)
1º Lugar - Robert Carlyle (Rumplestiltskin, em Once Upon A Time)

Melhor Actriz Secundária


4º Lugar - Reagan Pasternak (Julianne Giacomelli, em Being Erica)
3º Lugar - Paula Brancati (Jenny Zalen, em Being Erica)
2º Lugar - Madeleine Stowe (Victoria Grayson, em Revenge)
1º Lugar - Jessica Lange (Constance Langdon, em American Horror Story)

Melhor Actor Principal


4º Lugar - Jensen Ackles (Dean Winchester, em Supernatural)
3º Lugar - Jon Bernthal (Shane Walsh, em The Walking Dead)
2º Lugar - John Noble (Walter Bishop, em Fringe)
1º Lugar - Hugh Laurie (Dr. Gregory House, em House M.D)

Melhor Actriz Principal


4º Lugar - Erin Karpluk (Erica Strange, em Being Erica)
3º Lugar - Anna Torv (Olivia Dunham, em Fringe)
2º Lugar - Lana Parrilla (Regina Mills/ Evil Queen, em Once Upon A Time)
1º Lugar - Ginnifer Goodwin (Snow White/ Mary Margaret, em Once Upon A Time)

Melhor Episódio


10º Lugar - Death's Door - Supernatural
9º Lugar - Dr. Who?Being Erica
8º Lugar - Chaos - Revenge
7º Lugar - Letters Of Transit - Fringe
6º Lugar - Pandora's Box - Switched At Birth
5º Lugar - Get Gellar - Dexter
4º Lugar - Red-Handed - Once Upon A Time
3º Lugar - Twenty Vicodin - House M.D
2º Lugar - Halloween (Part 1) - American Horror Story
1º Lugar - Pretty Much Dead Already - The Walking Dead

Melhor Argumento


4º Lugar - Fringe
3º Lugar - Switched At Birth
2º Lugar - House M.D
1º lugar - Once Upon A Time

Melhor Série

4º Lugar - Being Erica
3º Lugar - Fringe
2º Lugar - The Walking Dead
1º lugar - American Horror Story

Domingo, 16 de Setembro de 2012

PRÉMIOS 'OLHAR CRÍTICO' - MELHOR IMAGEM/ DIRECÇÃO DE FOTOGRAFIA

Eleito o vencedor da categoria Melhor Caracterização/ Guarda-Roupa, seguem-se os nomeados e o respectivo programa ganhador para Melhor Imagem/ Direcção de Fotografia. Confesso que me custou um pouco abordar esta categoria dos Prémios 'Olhar Crítico', por não estar familiarizado com o trabalho de nenhum dos nomeados.
E o pódio que, de seguida, apresento, está composto da seguinte forma:


3º Lugar: Revenge
A imagem fria e crua de Revenge, presente na palidez dos ambientes (como nos flocos de neve que vemos na imagem), contraposta por cores quentes e vibrantes em certos objectos, acentua, de uma forma quase imperceptível, a sede de vingança da protagonista. 
Emily aparenta não ter coração. Tem objectivos macabros bastante bem delineados e, ao mesmo tempo, a consequência dos seus actos é sempre ardente, letal. Contudo, sentimos empatia para com ela, um aconchego, uma sensação morna (como a rosa vermelha que vemos na imagem), porque ela faz o que faz por amor ao pai. Um homem de boa índole que foi vítima de uma armadilhada, montada pela família Grayson, tendo inclusivé morrido na prisão, quando a filha era, ainda, uma criança.
Cynthia Pusheck logra, desta forma, mostrar-nos os dois lados de Emily: O amor pelo pai e, ao mesmo tempo, a sede de vingança. Um não existe sem o outro.
Este tipo de imagem, encontrado, por exemplo, no filme Red Riding Hood, é, sem dúvida, um dos meus preferidos e, se fizer sentido para a história e ajudar a narrativa, como faz em Revenge, é algo simplesmente sublime.

2º Lugar: Once Upon A Time
Um conto de fadas sem cores interessantes e empolgantes não é um conto de fadas. E o cinematógrafo de Once Upon a Time, Stephen Jackson, parece sabê-lo melhor que ninguém. Em cada imagem que nos é apresentada, conseguimos encontrar o sonho, o encanto que a história nos pretende transmitir.
Esta confusão harmoniosa de cores está bastante mais vincada no mundo encantado, no universo paralelo ao nosso, no verdadeiro mundo da magia, onde cada personagem vive os seus dramas e se cruza com outros de uma forma inteligentíssima, até ao dia em que a Rainha Má lança um feitiço e todos os seres se vêem aprisionados no mundo dos humanos. Um mundo em que as cores são mostradas de forma bem mais discreta, mas nem por isso menos interessante.
Mas Stephen Jackson parece ter o condão singular de conceder magia às imagens, mesmo quando nos deveriam parecer insípidas. E acredito que a sua entrega ao trabalho é total. Mesmo a cinematografia virtual tem um cuidado, uma veracidade e uma magia inigualáveis. Acredito que trabalhar-se a imagem de uma série de sucesso, criar-se ambientes, construir-se cenários, tanto na parte virtual como na manual, é algo quase único em televisão. E o cuidado denotado em ambas é deveras único.

1º Lugar: Fringe
Como é que Fringe conseguiu esconder dos espectadores os brutais cortes que sofreu para a feitura da 4ª temporada, de forma a manter a qualidade? Sim, por isso mesmo: Direcção de fotografia.
Acredito piamente que foi o jogo de luzes e a escolha da iluminação que disfarçaram o corte orçamental. Lembro-me agora do episódio 19, Letters Of Transit, passado no futuro. Se atentarmos bem, reparamos que praticamente nada do que nos é mostrado na imagem é futurista. As cadeiras são as mesmas, os sofás também, as fachadas dos edifícios idem. São as luzes que nos transportam para o lugar para onde é suposto sermos transportados.
Esse episódio é precisamente o ponto de partida da 5ª e última temporada desta série. Depois de uma luta desigual entre a Divisão Fringe e os Observadores, os nossos heróis de serviço ficaram presos em âmbar durante anos. Mas vão voltar. Pela mão de Etta, a filha dos dois protagonistas.
Visto que a última temporada vai ser passada no futuro, e outra vez sob a sombra dos cortes orçamentais, acredito que J.J.Abrams e companhia vão mais uma vez depositar fé no cinematógrafo David Moxness, o verdadeiro responsável pela continuidade da melhor série de ficção científica da contemporaneidade.
Em suma, boa ficção científica está para boa iluminação assim como a Olivia Dunham está para o Peter Bishop.

Sexta-feira, 13 de Julho de 2012

PRÉMIOS 'OLHAR CRÍTICO' - MELHOR CARACTERIZAÇÃO/ GUARDA-ROUPA

Finda a época televisiva 2011/2012, iniciam-se as inúmeras galas de atribuição de prémios à ficção internacional mais badalada.
Este blog não quis remar contra a maré e decidiu, desta feita, realizar a atribuição dos Prémios 'Olhar Crítico'.
Uma vez que não disponho do tempo suficiente para analisar todas as séries que nos acompanharam durante este ano, os prémios são disputados exclusivamente entre as séries a seguir discriminadas por ordem alfabética:
Alcatraz;
American Horror Story;
Being Erica;
Dexter;
Fringe;
House M.D;
Once Upon A Time;
Revenge;
Supernatural;
Switched At Birth;
The River;
The Walking Dead;
Touch


Sem delongas, apresento o pódio para a categoria 'Melhor caracterização/Guarda-roupa':



4º Lugar: Revenge
Responsável por ter dado cor, personalidade e profundidade às personagens de The Event, Dexter ou Lie To Me, o figurinista Jill M. Ohanneson entregou-se recentemente à vida dos Grayson e companhia, na série Revenge.
Desde o primeiro episódio que a sofisticação das roupas das personagens nos prendeu a atenção. Uma jogada perigosa, que poderia colocar em causa a credibilidade e a seriedade do programa. Afinal de contas, Revenge não é mais uma série que vive de personagens fúteis e vazias. Não. Nesta série, as vestes têm também elas um papel: O de acentuar o carácter de cada personagem e mesmo de dramatizar as situações. E, para que tal aconteça, é preciso uma sensibilidade e versatilidade, que Jill M. Ohanneson provou ter.
No episódio piloto, que entretanto é 'ressuscitado' no episódio 15, é-nos mostrada a festa de noivado de Emily Thorne (ou será Amanda?) e Daniel Grayson. O dress code é formal. Vestidos vermelhos para as senhoras, camisas brancas para os senhores.
É arquitectado todo um ambiente humano visualmente forte, contrabalançado pelo carácter fingido dos presentes, todos eles uma fachada, vivendo de aparências, escondendo segredos e escondendo-se na roupa que portam. O que não sabiam, e que eu considero absolutamente subtil mas genial em relação à dualidade da cor vermelha, é que as roupas não estavam a esconder coisa alguma, mas sim a prever um acontecimento sanguinário e macabro.
A sofisticação anda de mãos dadas com a história de Revenge, complementando-a de uma forma inteligentíssima.

3º Lugar: Being Erica
Nunca vi uma série explorar tanto o guarda-roupa como Being Erica. O conjunto de trajes para uma série como esta implica, não só uma investigação histórica, como também uma projecção futura. Um trabalho árduo a que Luis Sequeira se entregou em três temporadas, de um total de quatro.
Na quarta e última temporada, o profissional volta a surpreender-nos, depois de uma pausa na temporada anterior, cuja qualidade decrescera acerrimamente, quando comparada às duas primeiras. O trabalho do figurinista basta-nos para conseguirmos localizar-nos no tempo, sem ser preciso que Erica nos explique em que época se encontra.
No terceiro episódio, Erica é transportada para o passado da mãe, com o fito de o explorar e perceber o porquê das recentes atitudes dela. A protagonista acaba por descobrir um segredo chocante, mas antes há tempo para explorar a época e, claro, o guarda-roupa. Através dele, percebemos como funcionava a sociedade da altura, o que acaba por acrescentar ainda mais valor cultural à série.
Luis Sequeira levou-nos a 2019, aos anos 80 e até aos anos 60, através de um trabalho incrível e cheio de vida.

2º Lugar: Once Upon A Time
Não acredito que haja um projecto que dê tanto gozo aos responsáveis pela maquilhagem e pelo guarda-roupa como Once Upon A Time.
Eduardo Castro, responsável por vestir as personagens de Castle ou Betty Feia, decidiu deixar entornar todo o seu lado infantil e sonhador nesta panóplia de contos infantis adaptados.
Trajes barrocos e encantadores, maquilhagem exagerada e exuberante dão cor e acentuam a sensação de conto de fadas que todos conhecemos já desde crianças. É como se a nossa imaginação das histórias de encantar se materializasse nesta série da ABC.
Contudo, este uso de peças de vestuário no mundo dos contos acaba por ser equilibrado pelo mundo real, no qual as personagens se vestem de forma bem mais discreta. E mesmo no mundo encantado somos surpreendidos: Alguém imaginaria a pura e cândida Branca de Neve ser uma ladra fugitiva e se vestisse como o Robin dos Bosques?
É que a história de Once Upon a Time divide-se em dois tempos distintos, ou não fosse ela dos escritores de Lost. No mundo encantado, os conflitos entre personagens vão originando-se e despoletando clivagens e tensões que se engrandecem cada vez mais. Já o mundo real é a consequência do rebentar das tensões entre os personagens. É a maldição da Rainha Má contra a Branca de Neve e os restantes seres. É o mundo onde apenas ela terá um final feliz.
A série acaba por ser, portanto, não um encontro de lugares-comuns, mas sim uma história complexa e que surpreende, até no vestuário, que, se não fosse adequado, seria um fiasco.

1º Lugar: The Walking Dead
A aparência dos chamados Walkers, na série The Walking Dead, é do mais realista que pode existir em televisão. É de um cuidado extremo e assombroso.
Não existem palavras para salientar o excelente trabalho da equipa de maquilhagem e guarda-roupa do sucesso do canal AMC. Eulyn Womble cumpriu eximiamente o seu papel de figurinista da segunda temporada da série, ao seguir os passos da antecessora, Peggy Stamper.
Os momentos de maior suspense e tensão (não digo terror) são quando Rick e os seus companheiros se deparam com os mortos-vivos. Esse clima obscuro e de cortar a respiração não se consegue unicamente quando temos uns mortos-vivos que se parecem mesmo com a ideia que temos de mortos-vivos. Consegue-se quando a imagem dos mortos-vivos ultrapassa a imagem horrorosa que temos dessas criaturas.
No último episódio desta temporada, na qual Rick e os restantes sobreviventes encontram uma casa de um velho rabugento que acaba por lhes dar guarida, acontece o há muito esperado durante os 13 episódios transmitidos: Os Walkers atacam.
O investimento nesse episódio é visível em cada cena, em cada frame e em cada um dos muitos figurantes que assumem o papel de terríveis e brilhantemente caracterizados Walkers.
A minúcia é, portanto, uma das principais chaves para a glória de qualquer que seja a série que temos em mãos. Em The Walking Dead, é tanta que acabou por se tornar no fenómeno de audiências que é.

Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

Pódio dos Piores Programas (meses Junho, Julho, Agosto, Setembro)

Como é natural, o Verão e a rentrée não estão marcados simplesmente por bons programas. Há sempre quem se lembre de fazer qualquer coisa de horrível e energúmena para que a critiquemos. Parece que querem mesmo desenvolver a nossa capacidade crítica. O que é óptimo!
Assim sendo, eis os programas que têm a honra de pisar o Pódio dos Piores Programas de hoje.




Em 3º lugar, deparamo-nos com a nova telenovela da SIC. E, quanto a ela, tenho a dizer que o que já suspeitava acabou deveras por concretizar-se: Graças ao sucesso de Laços de Sangue, que conquistou as audiências que conquistou unicamente pelo facto de ser boa, Rosa Fogo foi sobejamente publicitada e venerada por todos, muito antes de estrear. Isto significava que, mesmo que a telenovela fosse um escarratório, quando estreasse, todos iriam adorá-la. E a verdade é que é péssima. Nem o estatuto de escarratório chega a alcançar, coitadinha.
Portanto, Rosa Fogo não serve para nada.
Para terem bem uma noção, nem o 1º episódio consegui ver até ao final. Eu, que vejo todas as estreias! Como é que isto é possível? Pois bem, eu digo-vos: Quando se vê mais do mesmo durante anos e anos a fio, chega-se a uma altura em que é preciso olhar-se com olhos de ver para as coisas e perceber-se que já não valem a pena.
O primeiro episódio, tal como todas as telenovelas cliché da TVI, abre com planos lindíssimos e com uma edição espetacular. Neste caso, foi-nos apresentada a dança caliente que é o Tango.
Mas as comparações do 1º episódio de Rosa Fogo com as telenovelas da TVI não ficam por aqui:
1 - Os actores e a equipa técnica viajam para um país qualquer, só para filmarem o 1º episódio, que nunca mais volta a ter importância na história;
2 - O Rogério Samora tenta fazer com que o seu personagem pareça culto, num guião escrito pela Patrícia Müller;
3 - Existe uma criancinha aparvalhada que é muito boazinha e que sabe logo quem são os maus da história, passando-se um atestado de estupidez aos personagens adultos;
4 - As mulheres são muito sofridas e, por isso, vão acabar todas bem no final da história;
5 - O Manuel Cavaco faz de homem rude, sem estudos e bicho-do-mato;
6 - Por ser uma história da Patrícia Müller, nenhum personagem sabe dizer uma palavra com mais de três sílabas;
7 - A Cláudia Vieira faz de Cláudia Vieira;
8 - A protagonista divide-se entre dois amores e, no final, a Patrícia Müller entrega-a ao que for mais bonzinho, pensando que fez algo super-original e surpreendentemente épico.
E pronto, temos mais uma telenovela horrenda no Horário Nobre da televisão portuguesa. E, por ser vazia de conteúdo e ter sido empurrada para o sucesso através de Laços de Sangue, consegue ocupar o 6º lugar dos programas mais vistos.
Em 2º lugar, está presente um dos muitos flops estivais da TVI: Canta Comigo. A ideia não é nada original, mas percebi a intenção de tornarem o programa leve e fresco, trazendo-o para a rua. Contudo, Rita Pereira conseguiu afastar os telespectadores do canal 4 logo na sua estreia. A actriz  (sim, unicamente actriz e modelo) perdeu-se completamente no seu raciocínio, teve paragens quando olhava para a câmara, esteve nervosa o programa inteiro e suspirava de alívio sempre que empurrava a emissão para Nuno Eiró.
Só no 2º programa se lembraram de auxiliar a "apresentadora" com o teleponto, sendo que melhorou a sua prestação consideravelmente, passando do nível 0 para... o 1. E já é bom.
Além disso, alguém se lembra do fantástico, apoteótico, fenomenal prémio deste programa irritantemente mal filmado? Pois bem, o vencedor recebeu... a oportunidade de gravar uma música para uma telenovela da TVI! Uau. A vida dele deve ter mudado.
Como se tudo isto não bastasse, a TVI atirou-nos à cara que este seria um programa low-cost, quando nem se deram ao trabalho de fazer uma sessão fotográfica de Rita Pereira. Em vez disso, foram buscar imagem da vilã Helena, de Remédio Santo e colaram-na sobre o logotipo do programa. E pronto. Trabalho mais rápido (e mal feito) não há!
Finalmente, em 1º lugar, está 5 para a meia-noite. Ah! Tenho a dizer-vos que a plataforma onde a imagem do programa está pousada não é um pódio. É uma lápide. Pois é, eu estou a enterrar à minha maneira o que foi, em tempos, o melhor Talk Show humorístico português.
Depois da saída de Filomena Cautela e de Fernando Alvim, o grupo de humoristas perdeu a força, mesmo com a chegada de Carla Vasconcelos e Luísa Barbosa. É como quando se parte uma jarra e se tentam colar os pedaços. Notam-se sempre as falhas entre eles. Se eu fosse o próprio do programa, desistiria de tentar colar esses pedaços de vidro. Pegaria num deles e cortaria os pulsos. Ainda por cima, para agravar tudo isto, as novas apresentadoras não têm jeito para conduzir o programa. É claramente visível a falta de espírito do "5" na figura delas. Nota-se que não foram elas que se esforçaram por agarrar o público num canal desprezado pela população. Não foram elas que, cada uma com o seu jeito, se uniram aos restantes apresentadores e formaram uma família. Não foram elas.
O estado de alma de cada dia alterou-se com a troca de apresentadores, durante a semana. O 5 para a meia-noite está em fase terminal.
Foi bom enquanto durou.
O Pódio regressa brevemente!

Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011

Pódio dos Melhores Programas (Meses Junho, Julho, Agosto, Setembro)

O Pódio regressa finalmente, fazendo um apanhado dos programas que marcaram o Verão, mas não descurando os da rentrée.
Desta vez, o Pódio dos Melhores Programas está ocupado da seguinte forma:


Em 3º lugar, está presente a última das 3 mini-séries transmitidas pela TVI, no 1º semestre de 2011 (eu prometi que a havia de trazer para o Pódio, lembram-se?).
Redenção contou a história de Rogério (António Capelo), um homem abastado, boémio e avarento que descobre que tem doença de Parkinson em estado embrionário. Perante a sua frustração e desespero, um anjo sui generis (Miguel Guilherme) dá-lhe a possibilidade de se redimir de todos os seus pecados, ajudando todos a quem causou dano.
A mecânica da série é relativamente simples, mas coerente, fazendo lembrar um pouco as séries americanas: Em cada episódio, Rogério tem uma nova personagem a quem deve prestar auxílio. E cada episódio centra-se no conflito entre o protagonista e a personagem em questão, abordando-se a história de vida da "personagem-vítima".
Existem falhas, nomeadamente ao nível do ambiente e do género da série, uma vez que chega a ser leve e cómica, mas também pesada, devido ao clima/ambiente criado por algumas situações (a presença de uma mulher nua numa das cenas, por exemplo) e pelas cores das imagens. Contudo, esta é uma série bastante inteligente, na medida em que os guionistas parecem conhecer bastante bem o mundo, criando uma série de entretenimento mas, sobretudo, com um carácter didáctico e com lições de moral relativamente profundas. Não é algo novo, mas é algo bom.
Em 2º lugar, está aberta a audiência para Liberdade 21. A série da RTP esteve "semi-cancelada" durante um período de tempo mas, há relativamente pouco tempo, a Estação Pública decidiu reavivá-la, transmitindo novos episódios.
Não me canso de engrandecer o estilo de filmagem. É tenso, cru e, há primeira vista, distractivo para o telespectador. Mas é como se costuma dizer: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". E, no meu caso, entranhou-se de tal forma que me prendeu a atenção por completo.
Esta série de advogados traz-nos, em cada episódio, casos diferentes, inteligentíssimos, retratando a nossa realidade e a justiça em Portugal. Mas o modo como os casos são abordados e a linguagem complexa acrescentam-lhe ainda mais valor.
Se os casos, já por si, são fascinantes, então o que dizer da trama central? O personagem de António Capelo é simplesmente delicioso, bem como a prestação de Ana Nave. Na minha opinião, são um dos melhores pares românticos da ficção em Portugal. É pena que a população portuguesa não tenha interesse por ficção de qualidade.
O meu desejo é que Liberdade 21 regresse com novos episódios.
Em 1º lugar marca presença Masterchef - Portugal.
A ideia, de Sílvia Alberto, de trazer o sucesso culinário para Portugal foi, imediatamente, vista com bons olhos por mim. Contudo, o programa superou por completo as minhas expectativas. Apesar de ter algumas diferenças do original (como por exemplo, a presença de uma apresentadora), não deixa de ter valor, até porque algumas diferenças podem revelar-se uma mais-valia.
O Masterchef português está extremamente bem filmado e editado, bem ao estilo do original, suscitando momentos de tensão e de cortar a respiração. Os desafios são interessantes, os 3 chefs são dedicados, inteligentes e cativantes e os concorrentes, regra geral, mostram estar à altura do desafio e alguns trazem-nos pratos extremamente elaborados e com um aspecto bem ao estilo deste programa: Delicioso!
Muito me apraz saber que o programa regressa já em 2012!

 
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